Luiza Mahin - Eu ainda continuo aqui
O espetáculo é uma tragédia contemporânea que aborda a questão do extermínio da juventude negra no país, bem como o desaparecimento desses jovens oriundos de comunidades e periferias, relatados por diversas mães negras. Em cena, mães negras contemporâneas, vítimas do extermínio de seus filhos e do feminicídio, trazem à tona o genocídio de jovens negros das periferias e lançam luz sobre essa cíclica separação forçada entre mães e filhos que acomete as populações negras há séculos, desde a travessia do Atlântico, nas diásporas.
A montagem promove um cruzamento entre os relatos dessas mães e a personagem ancestral Luiza Mahin, nascida no início do século XIX, mãe do advogado abolicionista e jornalista Luiz Gama, vendido como escravizado pelo próprio pai. Mahin surge como uma voz ancestral que, conhecendo a dor da perda de um filho, vem para acalentar essas mulheres.
Com sua existência até hoje posta em dúvida, Luiza Mahin, conhecida como revolucionária na Revolta dos Malês (1835 – BA), representa para a comunidade negra o ideário de uma ancestral guerreira, símbolo de força e inspiração para as mulheres negras. Sua história ainda é praticamente desconhecida, apesar da importância contundente de seu filho, Luiz Gama, como jornalista e advogado abolicionista.
O texto da peça foi criado a partir do único documento que comprova sua existência — uma carta escrita por seu filho a Luiz de Mendonça, em 1880 — e de relatos de várias mães encontrados em mídias digitais. O espetáculo, de forte cunho emocional, conta com trilha sonora original, cantada ao vivo pelas atrizes, e uma percussão marcante, com tambores que reforçam o lamento ancestral da Mãe África, por meio da forte presença da experiente percussionista Regina Café.
Enaltecem ainda a qualidade artística o figurino, com suas cores intensas que reforçam o universo da tragédia e as subjetividades de cada uma dessas mães, bem como o desenho de luz sombreado, que enfatiza o clima de transição entre passado e presente.

Sinopse
Uma espiral do tempo entrelaça a história de Luiza Mahin, mãe do advogado e escritor abolicionista Luiz Gama (1830–1882), à de tantas outras mulheres negras cujos filhos foram subtraídos ao longo de séculos de violência racial. Elas guardam em comum uma dor inominável e o senso de injustiça diante dos modos instituídos de extermínio que estruturam a sociedade brasileira desde a colonização portuguesa. Em Luiza Mahin – Eu Ainda Continuo Aqui, o racismo ganha corpo e memória, revelando suas repetições incessantes.
Cyda Moreno e as atrizes que a acompanham em cena carregam, no canto, na música e na palavra, essas vivências ancestrais que convergem para um mesmo destino trágico. Conectam o relato de Mahin ao lamento de mães cujos filhos foram vítimas do genocídio de jovens negros em curso no país, no tempo presente, e clamam pelo fim da violência policial e patriarcal. Erguem a voz em apelo, súplica e luta.
Eis a tragédia contemporânea, diariamente estampada nas páginas noticiosas, que encontra representação em uma dramaturgia capaz de dignificar a dor — sabendo que ela não se elabora completamente pela arte, tampouco alcança apaziguamento pleno nas lutas por justiça racial. Ainda assim, o engajamento nesses modos de enfrentamento de um horror que persiste há séculos sustenta a aposta na vida e na transformação coletiva.
Ficha Técnica
Texto: Márcia Santos
Idealização e Produção: Cyda Moreno
Direção Artística e Corporal: Édio Nunes
Direção Musical e Preparação Vocal: Jorge Maya
Elenco:
Cyda Moreno, Márcia Santos, Taís Alves, Jonathan Fontella e Márcia do Valle
Vozes dos Policiais:
Thelmo Fernandes, Marcelo Escorel e Gedivan de Albuquerque
Voz de Luiz Gama: Deo Garzez
Cenário e Figurinos: Wanderley Gomes
Trilha Sonora Original: Jorge Maya e Regina Café
Percussão: Regina Café
Desenho de Luz: Valdecir Correia
Edição de Vídeo: Madara Luiza
Fotografia: Cláudia Ribeiro
Apoio à Pesquisa Histórica e Letra da Música “Calma Preta”: Aline Najara
Direção de Produção: Cyda Moreno
Produção Executiva: Igor Veloso
Técnico de Som e Sonoplastia: Thiago Silva / Felipe Coquito
Técnico de Luz e Operação: Rafael Turatti


Cenário
Instrumentos e Materiais (Volumes)
7 volumesCenário e Adereços
3 cadeiras
Bolsa com luminárias
Mala com tecidos e pernas
Mala com figurino
Tapetes
Mochila com figurino
Bolsa com adereços
Maleta com microfones
1 bolsa pretaNecessidades Prévias com o Teatro
4 praticáveis de 2 x 1 m, sendo dois posicionados de cada lado do palco, próximos à rotunda
1 mesa (preferencialmente do tipo plástico, como as de piscina)
3 cadeiras
Rotunda
7 microfones de lapela


Prêmios e Indicações
Indicada ao Prêmio Shell – 2022
• Melhor Direção MusicalRecebeu 3 indicações ao Prêmio CENYM – Academia de Artes no Teatro do Brasil (2022):
• Melhor Elenco
• Melhor Atriz – Cyda Moreno
• Melhor Qualidade Artística de ProduçãoIndicação ao Prêmio APTR – RJ (2022):
• Melhor Atriz Coadjuvante – Márcia do VallePrêmio de Melhor Espetáculo
• Tradicional Mostra de Teatro de Varginha – edição 2021Prêmio de Melhor Atriz
• Márcia Santos – Mostra de Teatro de Varginha (2021)Prêmio de Melhor Atriz
• Cyda Moreno – 13º Festival de Teatro de Varginha (2021)Participação no 53º Festival de Inverno da UFMG
