Eu Amarelo - Carolina Maria de Jesus

O livro “Quarto de Despejo” serviu de base para a adaptação teatral e evidencia as inquietudes sociais e as experiências emocionais de quem vive na falta. A obra também aponta a trajetória ímpar da escritora, que deixou mais de 4.500 páginas em manuscritos, ainda à espera de publicação.
O texto, com dramaturgia de Elissandro de Aquino, apresenta fragmentos do amplo legado de Carolina Maria de Jesus por meio de Quarto de Despejo, Diário de Bitita, Casa de Alvenaria, pesquisas biográficas e provérbios. Sua obra, que inspira autoras e autores como Conceição Evaristo e Elisa Lucinda, apresenta um retrato real e profundo de quem vive à margem, na luta pelo pão de cada dia, sem perder a fé, a coragem e o sonho que transcende e inspira.
A literatura de Carolina Maria de Jesus só foi redescoberta no Brasil na década de 1990, graças ao pesquisador brasileiro José Carlos Sebe Bom Meihy e ao norte-americano Robert Levine. No exterior, porém, ela nunca deixou de ser lida e estudada, sobretudo nos Estados Unidos, onde Quarto de Despejo, traduzido como Child of the Dark, é utilizado em escolas.
A atriz Cyda Moreno, que dá voz a Carolina, afirma que, das entranhas de suas múltiplas misérias e de seus inúmeros talentos — da fome de comida, de espaço, de justiça, de igualdade e de democracia — Carolina extraiu poesia e lirismo para fazer ressoar as misérias do povo da favela.
Sua literatura, repleta de desvios ortográficos, é peculiar e marcada por palavras rebuscadas e profundas, refletindo as inúmeras fomes do nosso povo: por espaço, dignidade, reconhecimento, oportunidades e respeito à identidade. Suas obras evidenciam que o racismo é cíclico e híbrido. Já estamos em outro século, mas milhares de Carolinas ainda vivem à margem da sociedade, nas periferias, no subemprego, debaixo de viadutos, nos presídios, nos hospícios, na luta diária para vencer a fome.
Por isso, sua voz não se cala. Ela vive. Os “quartos de despejo” triplicaram. O Brasil precisa conhecer a força de Carolina e a sua realeza.
A peça apresenta três momentos cruciais da vida da escritora: sua estadia na favela, que resultou nos diários; a ascensão literária, que a tornou um fenômeno editorial de vendas; e o seu posterior esquecimento. Quarenta anos após sua morte, o Brasil volta a olhar para as palavras de Carolina, que profetizou: “ninguém vai apagar as palavras que eu escrevi.”

Projeto

O projeto consiste em apresentar, no teatro, por meio da adaptação literária de Quarto de Despejo, Diário de Bitita e Casa de Alvenaria, a obra de Carolina Maria de Jesus, uma das mais importantes escritoras negras da literatura brasileira. Quarto de Despejo tornou-se um best-seller, traduzido para 13 idiomas e vendido em mais de 80 países.
A montagem reúne a atriz Cyda Moreno no papel de Carolina Maria de Jesus, além de Aurélio de Simoni (iluminação), Elissandro de Aquino (dramaturgia e produção), Sergio Marimba (cenário), Margo Margot (figurino), Cátia Costa (direção de movimento) e Isaac Bernat, responsável pela direção do espetáculo.
A Profª. Dra. Elzira Divina Perpétua cita, em sua tese de doutorado, que “Carolina Maria de Jesus surgiu no clamor das reivindicações sociais das minorias”, por meio de um diário singular que se constitui como um retrato fiel da realidade mais densa e cruel.
As mulheres, segundo pesquisas, representam mais da metade da população brasileira e, ainda assim, apresentam os mais baixos indicadores sociais, econômicos e de participação política. Cerca de oito milhões encontram-se em situação de extrema pobreza no Brasil. Quando há o cruzamento entre racismo e sexismo, as mulheres negras permanecem em condições ainda mais acentuadas de vulnerabilidade.
A obra de Carolina Maria de Jesus traz à tona questões profundamente relevantes ao apontar, a partir de uma vivência marcada pela fome e pela escassez, uma força singular e uma fé inabalável na vida.

• Propiciar o acesso ao teatro a diferentes classes sociais, por meio da democratização cultural;
• Fomentar e disseminar novas linguagens artísticas por meio da experimentação com música e artes visuais;
• Desenvolver um trabalho artístico que valorize os elementos nacionais e a identidade brasileira;
• Resgatar e valorizar a memória de autores negros;
• Realizar uma montagem que enfatize a palavra — recurso por excelência do universo da autora;
• Apresentar uma linguagem sofisticada e contemporânea que reafirme a memória, a História e a Arte Afro-Brasileira, em consonância com a Década Internacional de Afrodescendentes (2015–2024), conforme a Resolução nº 68/237.

Atuação:

Cyda Moreno é atriz desde 1983, doutoranda em Artes Cênicas pela UNIRIO, mestre em Ensino de Artes Cênicas e produtora cultural. Ao longo de sua carreira, trabalhou com importantes diretores do teatro brasileiro, como Antunes Filho (nos projetos Macunaíma e Xica da Silva), Ulysses Cruz, Renato Borghi, Yara de Novaes, André Paes Leme, Maurício Abud, Antônio Pedro, Edio Nunes e Vilma Melo, entre outros.
No teatro, integrou montagens como Cabaré Dulcina (RJ), A Serpente (SP), A Hora e Vez de Augusto Matraga (RJ), Noel – O Feitiço da Vila (RJ/SP), Édipo Rei (SP), Corpo de Baile, O Senhor Presidente, Pantaleão e as Visitadoras, Os Negros (SP) e Pés Negros nas Estrelas (BH). Foi uma das fundadoras da Cia. Black & Preto Produções Artísticas, criada em 1993 no Rio de Janeiro, onde produziu e atuou nos espetáculos Dorotéia, As Criadas, A Botija de Ouro e O Cheiro da Feijoada.
Na televisão, participou de produções como A Padroeira, Mulher (seriado), Mr. Brown, O Sítio do Picapau Amarelo, Malhação e PCNs – Programa Educativo, além de diversas participações em novelas e séries. Destaca-se recentemente no papel da Professora Celeste na novela Amor Perfeito.
No cinema, atuou em filmes como As Filhas do Vento, Amor & Cia, Uma Onda no Ar e Navalha na Carne. Desde 1989, desenvolve e coordena projetos de ensino de teatro em iniciativas sociais nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Em âmbito internacional, escreveu e dirigiu o espetáculo Festa, apresentado no Teatro Young Vic, em Londres, com a participação de 100 artistas locais.
Recebeu, em 1984, o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante na cidade de Belo Horizonte. Atualmente finaliza a tese “Vidas Teatrais (Negras) Importam: Léa Garcia – Uma História do Teatro Negro no Brasil”. Foi indicada ao Prêmio CENYM de Melhor Atriz com Luiza Mahin, recebeu o Prêmio de Melhor Atriz no 13º Festival de Teatro de Varginha (2021) e é produtora e atriz do espetáculo Ninas, biografia da intérprete Nina Simone.

Dramaturgia e Produção

Elissandro de Aquino é formado em Letras, com especialização em Psicodrama e Psicanálise. Atua como professor, produtor cultural e escritor. Foi premiado com o conto “Escrevendo a Paz”, editado pela UNESCO, com tradução para o inglês e o francês. É autor do livro “Rio de Gentileza” (2ª edição) e do argumento “Classificados”, finalista do 7º DOC Canal Futura (2016).
Como pesquisador, integra o projeto de cinco longas-metragens “Teatros no Brasil”, produzido pela Imagem Filmes, aprovado para o Festival do Rio e em negociação com a FOX. Atua como parecerista credenciado nas áreas de Artes Visuais, Museus, Memória e Humanidades junto à Funarte e ao Ministério da Cultura, além de parecerista da área de Teatro pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Portaria nº 08/2021).
Foi vencedor da Incubadora Cultural Petrobras (2017) e realizou a supervisão de projetos educativos na CAIXA Cultural – Unidade Rio de Janeiro, atuando em diversas exposições. Assinou a direção de produção dos projetos “Passaporte Poético”, “Memórias de Fogo” e “Imagética”, apresentados no CCBB Rio de Janeiro (2017).
Também foi diretor de produção da exposição “Orisá: Quando o Mito Veste o Corpo”, realizada no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), com participação especial de Gilberto Gil (2017). Atualmente, atua na gestão cultural do equipamento público Sala Municipal Baden Powell, por meio da residência artística “Toda Essa Bossa”. É sócio do Instituto João Donato e da Viramundo.

Direção:

Isaac Bernat é ator, diretor e professor de interpretação na Faculdade CAL de Artes Cênicas. Doutor em Teatro pela UNIRIO, é autor do livro “Encontros com o griot Sotigui Kouyaté”, no qual investiga práticas de transmissão de saberes e oralidade.

Como ator, seus trabalhos mais recentes incluem os espetáculos “Agosto”, com direção de André Paes Leme; “Céus e Incêndios”, dirigido por Aderbal Freire-Filho; e “Cara de Fogo”, com direção de Georgette Fadel. Como diretor, destacam-se as montagens “Carolina Maria de Jesus – EU Amarelo”, de Elissandro de Aquino; “Por Amor ao Mundo – Um Encontro com Hannah Arendt”; “Deixa Clarear”, de Márcia Zanelatto; e “Calango Deu”, de Suzana Nascimento.

Recebeu o Prêmio Coca-Cola de Melhor Ator por As Aventuras de Pedro Malasartes, o Prêmio Botequim Cultural de Melhor Ator e o Prêmio Aplauso de Melhor Elenco pelo espetáculo Incêndios. Como diretor, foi contemplado com o Prêmio Zilka Salaberry de Direção por Lili, uma História de Circo.

Histórico e Travessias:

Set./2018: Estreia no Sesc Tijuca. A partir da segunda semana todos os ingressos da temporada, esgotados
Out./2018: Temporada na Sala Baden Powell
Jun./2019: Temporada no Sesc Ipiranga, São Paulo, com lotação esgotada logo na primeira semana de apresentação
Agost./2019: Convidada para o encerramento do projeto "Pensamento Arte e Ação Anticoloniais" no MAR
Out./2019: Temporada no Sesc Engenho de Dentro e em CIEPS
Nov./2019: Percorreu as periferias de São Paulo com apresentações nos CEUS pela Secretaria de Cultura de São Paulo
Mar./2020: Temporada interrompida no Terreiro Contemporâneo por conta do COVID-19
Maio/2020: Participou de mesas da FLUP (Festa Literária das Periferias)
Dez./2020: Exibição de live para o Sind dos Profissionais de Educação Estadual do RJ
Dez./2021: Arte em Casa pelo Sesc RJ com a maior visualização da história do projeto
Mar./2022: Convidado para integrar o livro Des images pour mémoire pela Unirio , UERJ e Universidade de Paris.
Nov./2021: Realização – com a reabertura dos teatros - de temporada no Dulcina
Abril/2022: Convite o Festival de Teatro Midrash com lotação esgotada
Jul./2022: Temporada em Niteroi, no Teatro da UFF (Universidade Federal Fluminense)
Set./2022: Sessão na II Fetne pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)
Set./2022: Participação no Congresso Brasileiro de Agroecologia da Região Sudeste
Fev./2023: Indicação ao Prêmio Shell de Teatro, categoria Dramaturgia de Elissandro de Aquino
Agosto./2023: Vencedor do Edital da CAIXA para circulação em Fortaleza e em Salvador
Set./2023: Vencedor do Edital Afromineiridades, Secretaria Estadual de Cultura e Turismo e o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico de Minas
Out./2023: Convite para abertura do Festival de Artes Cênicas, em São Lourenço
Out./2023: Vencedor do Edital de Linguagens e Extensão do Instituto Federal de Carmo de Minas
Fev./2024: Apresentação no CCJF (Centro Cultural da Justiça Federal em comemoração aos 40 anos de trajetória de Isaac Bernat.
Mar/2024: Temporada com patrocínio da CAIXA Cultural em Fortaleza, CE
Abril/2024: Temporada com patrocínio da CAIXA Cultural em Salvador, BA

Necessidades Técnicas:

  • Equipe de 4 pessoas para viagem composta por 1 produtor, 1 operador de luz, 1 operador de áudio e 1 atriz;

  • Cenário é composto por uma estrutura de ferro (25 kilos), 7 fardos quadrados de papelão e pequenos objetos de cena.