As Pessoas
Texto narrativo-reflexivo, As Pessoas trata das pequenas ferocidades presentes em atos triviais do dia a dia, abordando de maneira crítica e bem-humorada comportamentos contemporâneos que, de maneira geral, são percebidos por nós na ação alheia, no padrão coletivo de analisar hábitos e condutas sociais a partir da observação do outro, não raro julgando-o ou responsabilizando-o.
Diz-se, por exemplo, que “as pessoas não têm educação”; que “as pessoas não colaboram”; que “as pessoas não sabem votar”, etc., etc., etc.
Mas, que abstração é essa que designamos como: “AS PESSOAS”? Que entidade intangível e incorpórea é essa que chamamos “AS PESSOAS”?
“AS PESSOAS” somos nós.
É a partir dessa reflexão que a montagem busca jogar luz sobre o modo como naturalizamos certos comportamentos; como reproduzimos padrões sociais de controle do outro, e sobre a nossa imensa responsabilidade social na dinâmica de uma sociedade global.

Eu penso em nós, humanos, e me compadeço
do Diabo.
(Fala da personagem Zelma)
Sinopse
AS PESSOAS é o desabafo de ZELMA, mulher instruída e cansada, que se sente inadequada, descrente e sozinha em sua forma de perceber o mundo.
Em cena, um espaço com muitas caixas e livros dispostos como que saindo para, ou chegando de uma mudança, e que ZELMA vai movimentando, talvez na tentativa de construir uma muralha simbólica, que a separe e proteja do mundo lá fora, já que o que ela deseja é se esconder.
Enquanto movimenta coisas, ZELMA vai vomitando sua indignação, sua visão de mundo.
Aos poucos, seus sentimentos e inquietação culminam em desespero, quando realiza que ela própria – por ação ou por inação – é, também, as pessoas e os maus hábitos que ela tanto condena.
Luz vai iluminando a plateia, enquanto ZELMA destila sua narrativa final, que a obriga – assim como a cada espectador – ao confronto com os atos e padrões com os quais eles (ZELMA e espectadores), consciente ou inconscientemente, individual e/ou coletivamente, ajudaram a produzir os contornos de sociedade e de mundo que nos tornamos.








“AS PESSOAS”: narrativa em preciosidade performática
“[...] Essa é um pouco da estrada da profissional, que apresenta um monólogo eloquente, necessário e delicioso. Na ficha técnica tem o iluminador Paulo César Medeiros, o diretor Rogério Fanju, o figurinista Wanderley Gomes e o preparador corporal Édio Nunes. Todos já passaram por essa coluna, são potentes, bons no que fazem. Na verdade, estão além de bons, são verdadeiros profissionais das artes cênicas, nomes que dão ao espectador a chancela de algo, no mínimo, digno de aplausos.
No entanto, é impossível não dar a coroa da glória a Márcia Santos. Ela é imensa, em um palco com caixas, aonde ela conversa com essas mesmas caixas. Cada expressão facial da atriz é surpreendente: ela presenteia a todos nós com elas, que chegam sem piedade e nos carregam em seus sentimentos, nas sensações dessa personagem.
Se um palavrão está no texto, saibam, ainda que eu não tenha vocação à aprovação da vulgaridade, as palavras de baixo calão na boca da Márcia ficam muitíssimo bem, ela é foda!”
Paty Lopes
“[...] Rogério Fanju é o diretor. Sábio, deixa Marcia à vontade, porém pontua a utilização do espaço, acerta na escolha das caixas como ‘alguém que escuta e troca segredos’, acelera e retrai as falas no momento certo.
Marcia Santos tem total domínio do texto e do espaço. Aproveita cada vírgula, cada nuance da palavra, para passar a informação que deseja. Sua dicção é impecável. Sem falar na sua beleza e força cênica, que deixa o público, as pessoas, hipnotizadas. Sabe tirar graça dos dramas da vida, sabe expor seu descontentamento, joga luz em questões dúbias dando à plateia a oportunidade de se reconhecer e se melhorar.
As Pessoas é um espetáculo de excelente qualidade. Todos somos as pessoas ali retratadas: os que evitam festas, adoram ficar em casa e estão ‘por aqui’ com os absurdos do dia a dia na política, negacionismo, preconceitos, falta de amor ao próximo.
As Pessoas faz um recorte do mundo atual, marcando bem o momento que estamos vivendo. Desejo que fique um longo tempo em cartaz para que outras pessoas possam assistir e saírem modificadas, como eu saí. Aplausos calorosos!”
Marcelo Aouila
Críticas
Texto e atuação:
Márcia Santos
Cientista Política (UniRio); Mestra em Sociologia Política (IUPERJ/Candido Mendes) e Bacharel em Artes Cênicas (UniRio).
Atriz, cantora, autora e produtora teatral. Profissional multidisciplinar, com atuação nas áreas artístico-cultural, política e de pesquisa acadêmica.
Autora do musical Joãosinho e Laíla – Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia – Melhor Ator, contemplado com o Prêmio Shell de Teatro 2022 na categoria Melhor Ator.
Circula pelo Sesc SP como atriz em Luíza Mahin – Eu Ainda Continuo Aqui, texto de sua autoria, que há 3 anos em cartaz, já circulou pelo SESI SP em 2022, foi premiado no Festival Nacional de Teatro de Varginha – MG como Melhor Espetáculo e Melhor Atriz (Márcia Santos) e concorreu ao Prêmio Shell 2022 na categoria Melhor Música.
No setor político, atua como Analista de Comportamento Eleitoral e na Comunicação e Coordenação Operacional de Programa Eleitoral para TV e Rádio.
Atua, ainda, como docente de diversas disciplinas dos segmentos artístico-cultural e político.


Direção:
Rogério Fanju
Como diretor, entre diversos trabalhos, destacam-se:
CINEMA: co-diretor e co-produtor de “Maria Ninguém”, filme com Fernanda Lima (curta-metragem brasileiro selecionado na mostra de 2009 do FESTIVAL DE CANNES) e que ganhou o Prêmio de melhor curta-metragem em Los Angeles – THE WIFTS Foundation Honorees and Filmmakers; diretor de elenco de “Primrose”.
TEATRO: As Pessoas (2022 – Prêmio Sesc 2022); João Caetano ou Morte (2022 – Prêmio Paschoalino de Melhor Peça e indicado a melhor direção); Olho por Olho (2019 – indicado a 8 categorias no Profest e a 5 categorias no Festival Paschoalino); Órbita (2019 – Espetáculo selecionado na Mostra Novos Talentos); Em um lugar Chamado lugar Nenhum (2015 – indicado ao Prêmio Botequim Cultural em 4 categorias, vencendo 2).


Depoimentos
“[...] Alguns textos surpreendem ao cutucar corajosamente os pontos doloridos da alma nacional. É o caso de As Pessoas, texto e atuação de Márcia Santos, sob a direção de Rogério Fanju.”
Tania Brandão – Folias Teatrais – Caderno Segunda de Teatro
“Ainda estou impactado com o espetáculo. O espetáculo é maravilhoso! [...] É muito difícil fazer monólogo... O teu espetáculo é instigante, é envolvente, ele emociona, você reflete, você ri, tem horas que você praticamente chora...”
Rubens Lima Jr. – Diretor especialista em musicais e professor da UNIRIO
“Fiquei completamente apaixonado pelo texto e pela direção! Atuação magistral! Texto atual, visceral, às vezes divertido, outras pungente… enfim… vida!”
José Henrique Pilotto – Médico, Senior Researcher at FIOCRUZ
“Eu adorei o espetáculo. Achei a direção do Rogério ótima! A versão final do texto está perfeita. [...] Tem que entrar em cartaz numa temporada maior.”
Leonardo Netto – Ator, autor e diretor teatral






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